Publicado por: ... | dezembro 10, 2013

Imagens

"Nós e as mulheres de sua nação nunca poderíamos viver juntas, nossos caminhos são muito discrepantes. Nós cavalgamos; nosso negócio é com o arco e a lança, e não sabemos nada do trabalho das mulheres; mas na sua terra nenhuma mulher tem a ver com essas coisas — suas mulheres ficam em casa, em suas carroças, ocupadas com tarefas femininas, e nunca saem para caçar ou para qualquer outro propósito. Nós não poderíamos concordar com isso." (Amazonas, em Heródoto IV, 112 ss.)

“Nós e as mulheres de sua nação nunca poderíamos viver juntas, nossos caminhos são muito discrepantes. Nós cavalgamos; nosso negócio é com o arco e a lança, e não sabemos nada do trabalho das mulheres; mas na sua terra nenhuma mulher tem a ver com essas coisas — suas mulheres ficam em casa, em suas carroças, ocupadas com tarefas femininas, e nunca saem para caçar ou para qualquer outro propósito. Nós não poderíamos concordar com isso.” (Amazonas, em Heródoto IV, 112 ss.)

Só os peixes mortos seguem a correnteza. Sempre lute, não deixe passar.

Só os peixes mortos seguem a correnteza.
Sempre lute, não deixe passar.

Não se conforme em ser 'princesa'... Seja uma guerreira. Seja uma rainha!

Não se conforme em ser ‘princesa’…
Seja uma guerreira. Seja uma rainha!

Publicado por: ... | abril 15, 2012

2 livros recém-adquiridos

Não são novos, mas só os importei agora. Tratam-se de dois romances (ficção). Traduzi as sinopses e posto a foto dos meus:

For the Amazon Nation (“Por Uma Nação Amazona”, ainda sem tradução para o português):
Thalassa, a jovem e destemida princesa da tribo de Lemnos, vê o futuro da sua civilização ameaçado e seu mundo completamente balançado pela chegada na sua ilha de Elephthera, uma audaciosa amazona de Aretias, que procura por ajuda para sua tribo e toda a nação de mulheres guerreiras depois de um ataque devastador dos nômades samartianos.
Com a ajuda de suas irmãs-companheiras, elas embarcarão em uma jornada mitologica arrepiante para salvar suas próprias vidas e toda a sua raça. Isso as levará das águas gregas até o Fezzan, no coração do deserto do Saara, e de volta a Aretias pra enfrentar uma batalha final decisiva que definirá o curso do destino de sua cultura.
A busca/missão delas será não apenas física mas também espiritual, através da qual o segredo sombrio de Thalassa, escondido em seus misteriosos olhos, será revelado, e um laço inquebrável será criado entre essas duas mulheres corajosas.

Amazon Ink (“Tinta Amazona”, ainda sem tradução para o português):
Conheça a Mel: proprietária de empresa, mãe dedicada, amazona natural (de nascença).
Passaram-se 10 anos desde que Melanippe Saka deixou a tribo amazona para criar uma vida normal para sua filha, Harmony. OK, administrar um salão de tatuagem em Madison, Wisconsin, enquanto mora com sua mãe guerreira amazona e sua avó sacerdotisa não é muito da ideia que as pessoas têm de ‘normal’, mas Mel acha que ela teve sucesso em se misturar como um ser humano.
Acontece que ela está errada. Alguém sabe tudo sobre ela, alguém que está perseguindo as jovens amazonas, e de forma alguma Mel vai deixar Harmony se envolver nessa teia fatal. A senhorita Melanippe Saka é bastante forte… mesmo quando está encarando uma barragem de distrações – incluindo um persistente detetive cujo interesse em Mel vai além do profissional, um artista tatuador sensual com seus próprios segredos, e uma seriamente irritada rainha amazona que vê Mel como principal suspeita. Para encontrar respostas, Mel terá que fazer a única coisa que ela jurou que nunca faria: abraçar seus poderes e admitir que você pode tirar a garota da tribo… mas nunca pode tirar a tribo da garota.

Publicado por: ... | março 3, 2012

3 videos com a Nação Amazona, de Xena

 

 

 

Publicado por: ... | dezembro 18, 2011

Polyanytsi – Поляниці

Polyanytsi, a lenda das graciosas e fortes mulheres-guerreiras que viveram nas estepes da Ucrânia nos tempos antigos. O espírito das amazonas ucranianas, de quem ama a liberdade,  é demonstrado nesta música:

Publicado por: ... | setembro 11, 2011

Gladiadoras da Roma Antiga

Desde que se encontrou, na década passada, a tumba de uma gladiadora, as pesquisas continuaram. Hoje o site do historyoftheancientworld postou um artigo de uma universidade do Colorado intitulado “Female Gladiators of the
Ancient Roman World”. Leia o pdf de 16 páginas clicando AQUI.

Publicado por: ... | setembro 3, 2011

Ares e as Amazonas

1) Pai das Amazonas
Na Anatólia, terra das Amazonas, Ares se uniu à rainha Otrera, gerando as primeiras rainhas Hipólita e Antíope e Pentesileia, e à ninfa Harmonia, gerando toda a tribo de mulheres guerreiras.

“As amazonas [...]. A guerra, certamente, estava em seu sangue, filhas de Ares como eram e da ninfa Harmonia, a qual [...] lhe gerou garotas que se apaixonaram por lutar.” (Apolônio Ródio, ‘Argonáutica’ 2, 989ss – épico grego de cerca do século III AEC)
“Héracles matou Hipólita, filha de Ares e da rainha Otrera, e tomou seu cinto de Rainha Amazona”. (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 30 – mitógrafo romano de cerca do século II EC)
“Teseu, filho de Egeu, matou Antíope, filha de Ares, por causa de um oráculo de Apolo.” (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 241)
“O templo de Ártemis em Éfesos, no qual a amazona Otrera, esposa de Ares, construiu.” (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 223)
“Então veio Pentesiléia, a amazona, filha do Ares de grande alma, matador de homens.” (Arctino de Mileto, ‘A Etiópia’ fragmento 2, de um estudioso da Ilíada de Homero 24, 804)
“Pentesiléia, a filha de Otrera e Ares, que acidentalmente matou Hipólita e foi purificada por Príamo.” (Pseudo-Apolodoro, ‘Biblioteca’ E5.1 – mitógrafo grego de cerca do século II EC)
“Desafiando combatentes e seus adversários na Guerra de Tróia… Pentesiléia, filha de Ares e Otrera, foi morta por Aquiles.” (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 112)

2) Protetor das Amazonas

Ares era o deus das amazonas, a quem conferiu seu espírito de luta. O deus as liderou em suas campanhas contra os frígios, os lícios, os atenienses e outras tribos; e elas fundaram muitos templos em sua honra.

“E esta Colina de Ares (pagos Areion – Areópago), o assento e acampamento das amazonas, quando elas chegaram com um exército em ressentimento contra Teseu, e nesses dias construíram sua nova cidadela com altivas torres para rivalizar a dele, e sacrificaram a Ares, de onde a rocha leva seu nome, a Colina de Ares.” (Ésquilo, ‘Eumênides’ 685ss – tragédia grega de cerca do século V AEC)
“As amazonas se engajaram em uma luta implacável, em corcéis de ataque (cavalos de batalha), desde o princípio: toda a rede de homens elas suportam; e portanto ainda mais o espírito do deus-da-guerra as faz vibrar enquanto o fazem. Elas não ficam para trás dos homens em nada: seus arcos bem-trabalhados tornam grandiosos seus corações por todas as conquistas: nunca desmaiam ou caem de joelhos ou tremem. Os rumores dizem que a rainha delas é filha de [Ares,] o poderoso Senhor da Guerra. Portanto, nenhuma mulher pode se comparar a ela em suas proezas – se for ela a mulher, nem um Deus descerá para responder às nossas preces.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 618ss – épico grego de cerca do século IV EC)
“Amazoneion: um altar o qual as amazonas estabeleceram para Ares, na Ática.” (‘Suidas’ – léxico grego bizantino de cerca do século X EC)

3) Protetor de Hipólita

Hipólita recebeu o cinturão de guerra de Ares e recebeu também pássaros-flechas dEle.

“Como símbolo de sua proeminência entre as Amazonas, Hipólita possuía o cinto de Ares.” (Pseudo-Apolodoro, ‘Biblioteca’)
“Forjado no escudo de Eurípilos, neto de Héracles, estava uma beleza adornada como uma Deusa, Hipólita. O herói Héracles a arrastava pelo cabelo de seu veloz corcel, com a feroz resolução de lutar corpo-a-corpo contra ela e arrancar com suas mãos fortes a Maravilhosa Cinta da Rainha Amazona.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 6, 268ss)
“Quando vocês deixarem o litoral sul do Mar Negro para trás, vocês chegarão com seu navio à praia de uma pequena ilha, embora não sem antes encontrar algum meio de afastar os inumeráveis Pássaros que assombram o solitário litoral dali, que não têm qualquer complacência com os homens. Lá, as Rainhas das Amazonas, Otrera e Antíope [ou Hipólita], construíram um altar em márvore para Ares quando elas estavam indo para a guerra.” (Apolônio Ródio, ‘Argonáutica’ 2, 383ss)
“Agora o dia os trouxe [os Argonautas] quase em frente da Ilha de Ares, quando eles subitamente notaram um dos pássaros do Deus da Guerra, os quais assombravam a ilha, dardejando pelo ar. Agitando suas asas sobre o navio em movimento, ele deixou cair uma pena apontada [semelhante a uma flecha] sobre ela… ‘Estamos próximos à ilha de Ares – disse Anfídamas – pode-se dizer pelos pássaros’… Eles não viram pássaros até alcançarem a ilha e sentirem o golpe em seus escudos. Então os pássaros em seus milhares surgiram no ar e, depois de alvoroçarem-se em pânico, descarregaram uma pesada saraivada de penas dardejantes no navio enquanto eles faziam um apressada retirada para o mar, na direção das colinas continentais… O grupo inteiro abriu caminho até o templo de Ares para sacrificar algumas ovelhas, e rapidamente tomou seus lugares em torno do altar. Ele era feito de pequenas pedras e ficava do lado de fora do templo, o qual não tinha teto. Mas, dentro dali, uma pedra negra estava fixada ao chão. Ela era sagrada, e todas as Amazonas costumavam às vezes fazer preces a ela. Mas não era o costume delas, quando chegaram ao continente, fazer ofertas queimando ovelhas ou gado nesse altar. Em vez disso, elas usavam a carne de cavalos. Elas tinham várias manadas deles.”  (Apolônio Ródio, ‘Argonáutica’ 2, 1033ss)

4) Protetor de Pentesiléia

Pentesiléia vai para Tróia como aliada dos troianos.

“A amazona Pentesiléia, filha de Ares e da raça trácia, veio ajudar os troianos e, após demonstrar sua grande destreza, é morta por Aquiles e enterrada pelos troianos.” (Arctino de Mileto, ‘A Etiópia’ fragmento 1, em Proclus ‘Chrestomathia’ 2 – épico grego de cerca do século VIII AEC)
“Inigualável entre todas as Amazonas, Pentesiléia veio até a cidade de Tróia… a filha incansável do deusa da Guerra, a donzela encouraçada, se une aos Deuses Abençoados.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 61ss)
“Do azul do céu deslizou o poder de um sonho doloso no cavalo de Atena, foi isso o que a donzela-guerreira Pentesiléia viu, o que se tornou uma calamidade para Tróia e para ela mesma, quando constringiu sua alma a encontrar o furacão da batalha. Nesta sabedoria, a Tritogênia Atena, a de alma sutil, insuflou na cabeça da donzela o fatal sonho à semelhança do seu pai Ares, incitando-a a enfrentar sem medo Aquiles, o de-passo-ligeiro. E ela ouviu a voz, e todo seu coração se exultou, pois ela imaginava que poderia na aurora daquele dia conquistar um feito poderoso na lida da batalha mortal. Ah, tola, que confiou para sua tristeza em um sonho saído da terra sem sol…” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 154ss)

Pentesiléia enfrenta os gregos.

“Ela ergueu seus ombros naquela armadura maravilhosamente moldada, dada a ela por Ares, o deus da guerra. Primeiro ela amarrou sob seus joelhos de prata brilhante as grevas douradas, fechando-as sobre os fortes membros. Seu corpete radiante como o arco-íris a envolvia e, em volta de seus ombros, se dependurava, com glória em seu coração, a extensão brilhante de uma bainha para espada feita de mármore e prata. Em seguida, ela ergueu seu escudo esplêndido como nenhum outro na terra, cuja bainha se inchava como a carruagem arqueada da jovem lua crescente. Assim ela brilhava indescritivelmente bela. Então em sua cabeça ela colocou o brilhante elmo esticado com pêlos dourados de uma égua selvagem. Assim ela se ergeu, saltou com a flamejante armadura, parecendo-se com um raio… Em seguida, passando diante de seu pavilhão com uma pressa calorosa, ela pegou dois dardos na mão que levava o escudo e, com a mão direita, prendeu fortemente uma enorme alabarda, afiada, de lâmina única, a qual foi dada pela terrível Éris à filha de Ares para ser sua arma titânica na batalha que ceifa as almas dos homens.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 176ss)
“Príamo ergueu suas mãos e rezou a Zeus: ‘Pai, ouça! Conceda que neste dia o bando dos aqueus possa cair diante das mãos desta nossa rainha-guerreira, a filha do deus da guerra; e traga-a de volta sã e salva para os meus salões: rezamos a ti pelo amor que tens a Ares do coração feroz, teu filho, de quem ela é filha! Ela não é tão maravilhosa quanto as deusas celestiais? E ela não é a filha de tua própria semente? Apieda-te do meu coração ferido afinal… Tem compaixão de nós, enquanto ainda resta do sangue do nobre Dardanos, enquanto esta cidade ainda não está destruída! Deixe-nos conhecer o medonho abate e contenda que não deixa espaço para respirar!’ Em uma prece mais apaixonada, ele falou: ‘Eis, com um agudo grito rapidamente uma águia dardejou para a esquerda com uma pomba ofegante em suas garras. Então em torno do coração de Príamo todo o sangue se congelou de medo. Ele disse baixinho para sua alma: ‘Nunca verei voltar viva da guerra Pentesiléia!’. E, naquele mesmo dia, os Destinos cumpriram o presságio, e seu coração se travou de angústia e desespero.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 245ss)
“[Pentesiléia grita]: Que possamos aprender que poder brota dos seios das Amazonas. Meu sangue está misturado com a guerra! Nenhum homem mortal me gerou, mas [Ares] o Senhor da Guerra, insaciável em gritos de batalha. Portanto, meu poder é maior que o de qualquer homem.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 762ss)

Aquiles se arrepende de matar Pentesiléia.

“Ela foi feita uma maravilha de beleza mesmo na sua morte pela Afrodite coroada-em-glória, Noiva de [Ares] o forte deus-da-guerra, até o ponto de ele, o filho do nobre Peleu, ser penetrado pela afiada flecha do amor penitente. Os guerreiros o fitaram, e em seus corações eles rezaram para que suas esposas pudessem parecer bela e doce como ela quando eles se deitassem na cama do amor, quando ganhassem um lar. E o próprio coração de Aquiles se oprimiu de remorso por ter matado algo tão doce, alguém que ele poderia ter carregado para casa, sua noiva majestosa; pois ela não tinha nenhuma falha, era uma verdadeira filha dos Deuses, divinamente alta, e mais divinamente bela.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 909ss)

Ares lamenta a morte de Pentesiléia.

“Então o coração de Ares estremeceu de pesar e raiva pela morte de sua filha. Direto do Olimpo ele desceu dardejando, rápido e brilhante como um raio terrivelmente lampejando da poderosa mão de Zeus, rapidamente saltando sobre o mar sem rastros, ou flamejando pela terra, enquanto arrepiava todo o largo Olimpo ao passar por ele. Através do ar tremeluzente, com o coração em chamas, mergulhou o Ares vestido em armadura, assim que ouviu do terrível destino de sua filha. [...] Assim que soube, como uma rajada de tempestade ele desceu às beiras do Ida [...]. Ares agora tinha trazido um dia de lamento aos mirmidões [os homens de Aquiles], mas o próprio Zeus do longínquo Olimpo enviou trovões aterrorizantes com densos raios, flamejando com chamas assustadoras. E Ares viu, e sabia que a ameaça de tempestade era do poderoso Pai, e deteu seus ávidos pés, já às margens do tumulto da batalha… Assim muitos pensamentos selvagens surgiram na alma de Ares, compelindo-o a temer a ameaça terrível do filho irado de Kronos, e a voltar para os domínios celestiais, e a se inquietar não por causa do seu Genitor mas com o sangue de Aquiles a manchar aquelas mãos, o incansável-em-batalhas. Ao final, seu coração se lembrou como que mesmo sendo um filho de Zeus com muitos morrendo em batalha, Zeus não tinha tirado o mínimo proveito em suas quedas. Assim, ele se virou voltando dos argivos…” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 923ss)

Acontece o funeral de Pentesiléia.

“Então os reis atreus – pois estes também se apiedaram pela imperial amabilidade da maravilhosa Pentesiléia – entregaram o corpo aos homens de Tróia, para que o levassem ao burgo da Ília [Tróia], a de longe renomada com toda a sua armadura. Pois um arauto veio pedir esse favor a Príamo, porque o rei ansiava com um desejo profundo de seu coração que aquela donzela ávida-pela-batalha pudesse jazer com suas armas e seu cavalo na grande colina de seu pai Laomedon. E então ele ergueu uma alta e larga pira sobre às alturas da qual a rainha-guerreira foi colocada, e ricos tesouros ele lançou em torno dela, todos os que convinha queimar para uma poderosa rainha morta em batalha. E então o poder ligeiro do deus do fogo, a chama voraz, a consumiu. Todas as pessoas à volta ficaram paradas de pé, e extinguiram o fogo da pira com um vinho odorífico. Então eles reuniram os ossos e verteram um doce linimento sobre eles, e os puseram em um esquife [...]. E, como por uma filha amada, abateu-se por todos os corações dos troianos o lamento choroso de dor, enquanto ela era enterrada em uma imponente torre, ao lado dos ossos do velho Laomedon, uma rainha ao lado de um rei. Esta honra eles renderam em nome de Ares e da própria Pentesiléia.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 1990ss)

(Fonte: theoi.com – traduzido por Alexandra)

Publicado por: ... | setembro 3, 2011

Kharisteria e Amazonamaquia

Artemis SalvadoraBoedromion 6 (pôr-do-sol de sábado 3 para domingo 4 de setembro de 2011) – Hoje é um dia tanto de festa quanto de lamentações. Festa porque, após a vitória ateniense na Maratona, o festival para Artemis Agrotera (a Caçadora) passou a se chamar Kharisteria (Ação de Graças). Lamentações porque foi também neste dia que aconteceu a Amazonamaquia, quando Teseu derrotou as amazonas na batalha da Ática. Daqui a um mês será o Orkomosion (dia do juramento), o sacrifício que as amazonas faziam antes da festividade da Theseia, quando assinaram um tratado de paz com Teseu.

Portanto, é hora de lembrarmos quem eram essas guerreiras cuja perda lamentamos hoje. Eis algumas:

Aello (furacão, vendaval) – lutadora fatal, portava um machado de lâmina dupla (labrys), foi a primeira das nove que atacaram Héracles no corpo-a-corpo quando irrompeu a guerra. Héracles usava a pele de leão que o tornava invulnerável e matou a todas. Depois que a nona guerreira a combater individualmente morreu, as amazonas atacaram em grupo e força.

Ainia (velocidade, rapidez) – uma das seguidoras de Pentesileia que lutou com a rainha em Tróia contra Aquiles.

Alcipe (poderosa égua) – a última das nove a combater Héracles.

Andrômaca (lutadora/matadora de homens) – grande e famosa rainha que estava no grupo que combateu Héracles.

Antíope (olhos virados) – a única amazona que se casou. Ela foi capturada por Héracles e levada até Atenas onde se apaixonou e casou-se com Teseu, o rei, de quem teve um filho que chamou de Hipólito em homenagem à sua irmã amazona Hipólita. Quando as amazonas atacaram Atenas, ela lutou do lado de Atenas e foi morta pela amazona Molpadia. Outras versões dizem Teseu quis se casar com outra e ela atacou os noivos no dia do novo casamento, sendo necessário Teseu e Héracles com um exército para conseguir matá-la.

Hipo (cavalo) – famosa rainha que ajudou a fundar as cidades de Éfesos, Smirna, Cirene e Mirina, tendo conquistado a Ásia Menor e a Síria e estabelecido uma estátua de Ártemis em madeira perto de uma árvore de faia em Éfesos. As amazonas iam até lá para fazer rituais como a dança do escudo, batendo no chão em uníssono, acompanhadas por flautas que tocavam uma melodia selvagem e bélica.

Hipólita (libertadora dos cavalos) – Hipólita era a mais famosa das amazonas, talvez até mais que Pentesileia. Era filha do deus Ares com a amazona Otrera. Ela se apaixonou por Héracles quando ele veio tomar o cinturão dourado das amazonas, mas – como a tribo atacaou – ele achou que foi por ordem dela e a matou para pegar o cinturão e foi embora.

Lísipe (a que solta os cavalos) – rainha amazona que teve um filho chamado Tanais, o qual era devotado à guerra e desdenhava o casamento. Afrodite então teria o feito se apaixonar pela mãe e, incapaz de lidar com isso, ele teria se jogado num rio e se afogado. Lísipe então se enterrou no trabalho para esquecer sua dor. Ela fundou a capital das amazonas, Temíscera, consolidando a nação e construindo muitos templos para Ártemis (nenhum para Afrodite). Ela era bem uma general notável, estabeleceu as políticas das amazonas e foi a primeira a liderar uma força de ataque com cavalaria.

Marpésia – rainha militar que contribuiu para o nome e império das amazonas. Ela tomou sozinha a Trácia e a Síria e basicamente tudo o que ficava no caminho até o Mar Egeu. Ela iria parar, mas uma rebelião numa terra conquistada a fez voltar para a batalha e ela morreu lutando. Sua filha se chamava Oríthia.

Molpádia (canção de morte) – um modelo de guerreira amazona, era esperta, veloz e corajosa. Ela foi com o exército amazona até Atenas resgatar Antíope e foi uma das únicas capazes de se infiltrar no castelo. Ela encontrou Antíope e tentou resgatá-la, mas como esta não quis ir, Molpádia jogou sua lança nela e a matou, sendo em seguida morta por Teseu. Ambas foram enterradas perto de um templo a Gaia.

Oríthia – filha da rainha Marpésia, herdou sua posição e foi logo tratar de trabalhar. Criou uma aliança com o rei da Cítia, o qual enviou se filho e um exército e juntos eles destruíram os bárbaros asiáticos que mataram Marpésia. Dizem que ela foi raptada pelo vento norte Doreas, de quem teve duas filhas, Chione e Cleopatra (não a do Egito), e dois filhos, Calais e Zetes, que se tornaram argonautas.

Otrera – a mais antiga e original Deusa das Amazonas. Quando começou o patriarcado dos deuses celestes, ela se tornou a mãe (através de Ares) da Nação Amazona, ou seja, das primeiras rainhas: Hipólita, Antíope, Lísipe e Melanipe.

Pentesiléia (a que compele os homens a lamentar) – uma das maiores guerreiras amazonas e também uma heroína pelos padrões gregos. Filha de Ares e Orítia, tinha muita habilidade com armas e batalhas. Era conhecida por sua sabedoria. Durante uma caça, matou acidentalmente uma irmã, Hipólita II (segunda) e, em dor, deixou a tribo para lutar na Guerra de Tróia. Doze guerreiras a seguiram até Tróia e mataram muitos gregos. Fatal por conta de ser filha de quem era, ela só morreu porque lutou com o “invencível” Aquiles em combate corpo-a-corpo. Aquiles lamentou quando arrancou o elmo e viu quem ele tinha matado, “fazendo amor” com o cadáver, segundo se conta. Quando um dos seus companheiros disseram que isso era abominável, Aquiles o matou.

Thalestris (despojadora, espoliadora) – lendária rainha amazona do ano 320 AEC. Ela era a melhor das melhores e sabia disso, assim como sabia que Alexandre O Grande era o melhor dos melhores e imaginou que uma filha dos dois seria ainda maior e traria um grande respeito para a nação amazona. Então ela foi com o exército a reboque até Alexandre explicar seu plano. Ele concordou com a condição de que ele ficasse com os filhos homens. Por 13 dias eles passaram o tempo inteiro juntos, caçando e fazendo sexo. Ela voltou para Temíscera e esperou os resultados, que nunca vieram. Quando morreu, portanto, Thalestris não deixou nenhuma criança nem um real legado.

Phillipis, Prothoe, Eriobea, Deianeira, Asteria, Marpe, Tecmessa – as outras sete a combater Héracles, em ordem da segunda para a oitava.

₪ Ainia, Alcíbie, Antrande (a que vai atrás dos homens), Antíbrote, Bremusa (fêmea feroz), Derimacheia, Derinoe, Harmothoe (unha afiada), Hipothoe (égua imperiosa), Polemusa, Thermodosa, Clete (a invocada) – as doze que seguiram Pentesiléia até Tróia. Clete na verdade tentou se juntar a elas, mas em vez disso fundou uma cidade na Itália.

(Fonte principal: http://www.paleothea.com/amazons.html)

Se você quiser conhecer mais amazonas, há uma lista maior delas em inglês aqui: Brave Women Warriors of Greek Myth .

 

Publicado por: ... | janeiro 19, 2011

Asgarda, as mulheres guerreiras da Ucrânia

por Espartana, a pedido da leitora Olivia Lopes:

Nas florestas da Ucrânia, vivem as Asgarda, uma tribo de guerreiras liderada por Katerina Tamouska, que conta já com 150 mulheres de todas as idades – as mais novas têm 14 anos. Elas treinam karatê, se vestem com uma mistura de roupas modernas, roupas folclóricas tradicionais ucranianas e roupas de couro semelhantes às das amazonas da TV. Seus estudos também misturam práticas antigas e modernas. Elas ‘idolatram’ Yulia Volodymyrivna Tymoshenko, que foi primeira-ministra da Ucrânia, líder do partido patriota, uma das pessoas mais ricas da Ucrânia, e conhecida como a “Joana d’Arc da Revolução Laranja”.

De acordo com o site das Asgarda, elas se focam em quatro aspectos: arte popular, saúde, esporte e ciências. As aprendizes estudam desde bordado até anatomia, todas sob a supervisão de Tarnouska. Elas dizem que aprendem tanto sobre medicina, lei, literatura, psicologia, filosofia, religião, música, artes, astronomia, quanto sobre cozinha, bolos, limpeza, cuidado de crianças, e até cantar, dançar, escrever, pintar e criar.

Elas mesmas se vêem como ‘amazonas modernas’. No seu acampamento, elas recriaram a tradição tribal das amazonas da Cítia, descritas por Heródoto (que, de acordo com suas “Histórias”, as situava no leste da Ucrânia). Tarnouska, uma loira de uns trinta e poucos anos que usa rabo de cavalo, estabeleceu a tribo nas montanhas do Cárpatos. Ela diz que é natural as mulheres terem sua própria cultura marcial como já aparecem nas descrições gregas, e que a alma da antiga Ucrânia ainda reside em algumas mulheres que demonstram orgulho, bravura, firmeza, força de vontade, crenças fortes etc. Esse espírito amazona é aclamado por elas com o “Glória a ti, Mestra, Glória à Asgarda, Glória às Amazonas!”.

As guerreiras acreditam que as mulheres são as criaturas mais lindas da Terra, alegres, cheias de talentos, conectadas com a natureza, amáveis, corajosas, inteligentes, sábias, inocentes, altruístas, generosas, com força de vontade. A necessidade de se aprender artes marciais seria para proteger suas tribos de invasores e possíveis perigos, mas elas lembram que artes marciais não são apenas uma prática de defesa, ela também nos mantém equilibradas com as forças da natureza, nos dá firmeza e força ao corpo e à mente, mantendo a saúde física e psicológica.

Apesar das pioneiras serem da Ucrânia, elas incentivam que outras tribos surjam pelo mundo, encorajando as mulheres a reagirem e se unirem ao mundo de Asgarda.

( Fonte: sintetizado e traduzido de artigos do http://asgarda.webs.com/ )

Publicado por: ... | dezembro 24, 2010

Quando a força é que faz a união

Dia desses assisti o “Mulheres Guerreiras” da série “Rituais Bizarros” do The History Channel (sobre o qual eu havia avisado em um post anterior) e, entre tantas coisas legais, duas me chamaram mais a atenção. Uma foi a parte histórica, de saber que as primeiras boxeadoras conhecidas eram de 1.500 AEC, na era minóica (Creta). A outra foi a parte emocional de empatia, pois uma das boxeadoras modernas contou algo parecido com o que eu volta e meia comento com alguém.

Ela disse que tinha uma adversária que ela não gostava, que achava inclusive que era uma pessoa do mal, aí um dia elas lutaram com tanto afinco que no final – quando tudo acabou – elas não podiam mais falar nada de mal uma da outra, havia-se criado um vínculo inexplicável através do boxe.

Um dos primeiros lugares que eu li algo parecido foi no romance épico “A Última Guerreira” (The Last Amazon), em que as amazonas pré-adolescentes tinham que passar pelo ódio para chegar a um amor mais profundo às companheiras de seu pequeno grupo (no livro cada núcleo desse era formado de 3 guerreiras). Mas, quase 10 anos antes de ler esse livro, eu já ia ao chão lutar com as escoteiras das quais eu mais gostava.

Acredito mesmo que uma luta seja capaz de desenvolver um laço de confiança e intimidade entre as pessoas envolvidas. Parece que toda aquela coisa reprimida pela etiqueta social é resolvida. Há pessoas que eu amo muito, mas que justo por isso algumas atitudes delas me deixam com raiva e não posso fazer nada. E com certeza isso é recíproco. A gente não pode sair ‘dando na cara’ dos nossos amigos, mas uma luta limpa e justa não só permite colocar para fora todas as vezes que a gente teve vontade de esganar o outro (e assim poder seguir em frente com tudo resolvido e amá-lo mais) quanto permite um maior contato físico sem frescuras, sem interpretações, sem códigos corporais secretos.

O que pode parecer curioso é que eu sou conhecida por ser uma pessoa racional, educada e cortês. Mas é exatamente isso que me permite fazer esse tipo de observação. Eu jamais entraria numa briga sem um propósito. Tudo o que puder ser resolvido na conversa é melhor. Não estou de nenhuma forma defendendo a violência. Luta como ritual não é violência gratuita. Ela não viola no sentido de rasgo, ela só viola no sentido de revelar algo que está por trás do que foi violado; aquela coisa secreta que ficou engasgada. Ela permite que – ao terminar – vejamos o outro sem o véu do ressentimento, do rancor, do preconceito, do receio; sem pensar que ele é “do mal” como a boxeadora do documentário via a colega.

Se bem que boxe não é algo que me atrai. Já fiz uma aula experimental de kickboxing, mas não gostei, minha praia é mesmo as artes marciais, em que o corpo todo se envolve e que não se atinge a cabeça que nos tira a consciência das coisas. Talvez por ser de Atena, gosto de manter a integridade mental durante a luta, de estar com a alma inteira no momento do combate. “Sempre alerta” e fazendo “o melhor possível”, como aprendi.

De qualquer forma, em tempos de Internet e distância física, tenho precisado me ater à ‘espada da palavra’ para criar confiança e intimidade com meus amigos ao resolver nossas contendas de uma forma bem humorada, mas não deixo de (nem nego) sentir falta de uma boa peleja…

rs

Publicado por: ... | novembro 28, 2010

20 de novembro – as Adelitas

“Popular entre la tropa era Adelita,
La mujer que el sargento idolatraba,
Porque a mas de ser valiente era bonita,
Que hasta el mismo coronel la respetaba
[...]
Que si Adelita se fuera con otro,
La seguiria por tierra y por mar;
Si por mar en un buque de guerra,
Si por tierra en un tren militar.”
(Jorge Negrete)

Em 1910, o General Pancho Villa apelidou uma revolucionária de classe alta (chamada Altagracia Martínez) de “Adelita”. A partir daí, as mulheres que participaram do movimento armado da Revolução Mexicana eram chamadas Adelitas.  E agora, todo dia 20 de novembro, as mexicanas vestem-se de Adelitas para relembrar essas revolucionárias.

É verdade que várias exerciam as funções mais típicas de mulheres (enfermeiras, correios etc), mas boa parte era de combatentes e ‘coronelas’, como por exemplo:

  • Carmen Alanis, que se levantou em armas em Casas Grandes, Chihuahua, e participou na tomada da cidade de Juárez com 300 homens ao seu comando;
  • A  coronela Juana Gutierrez de Mendonza;
  • A  China, que comandava um batalhão formado polas viúvas, filhas e irmãs dos combatentes mortos;
  • A coronela Dolores Jiménez Muo, que participou de ‘As Filhas de Cuauhtémoc’ e foi redatora de um ‘plano político e social’ e de um diário liberal.

Imagem da época (1910-1917), de domínio público (artista morreu há +de 70 anos).

Fica então nossa lembrança e homenagem a essas mulheres guerreiras!

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