Publicado por: alexandra | novembro 30, 2008

Evolução?

“Já vi os homens das cidades, com suas barrigas e coxas magricelas. Não durariam uma hora debaixo do céu de Deus. Agricultura! Eu preferiria cavar sulcos da pele de minha mãe a lacerar a terra com aquele odioso arado. Para quê? Para tirar um legume pálido do meio da sujeira e chamá-lo de jantar? Deus fez a humanidade para caçar, como o leão e a águia, não para pastar no meio da palha, como os bois e as ovelhas. A caça inculta vigor e coragem. Deixa a mãe Terra como Deus quer, livre de feridas e de profanação.
(…)
Nosso hóspede ateniense alega que a cidade proporciona lazer. Que bobagem! Quem dispõe de mais tempo livre do que o caçador e o guerreiro, que têm em seu próprio trabalho a diversão? Nós da estepe não conhecemos a palavra trabalho, pois tudo o que fazemos nos dá grande alegria, e assim reverenciamos a ordem de nosso Criador. Nossos dias se passam com os divertimentos de Deus; à noite nos deitamos com o saudável cansaço de atividades que fazem bem ao corpo e à alma. Propriedade! O que ela causa senão a miséria e o afastamento dos semelhantes?
(…)
Esse aborrecido admoestador Teseu louvou seus médicos e seu cuidado com os enfermos. Ah! Nós não conhecemos doenças na estepe. Com a cidade vem a extensão anormal dos dias. Quando for hora de morrer, morra!
(…)
Jamais permitirei que meu povo lavre a terra, pois quem o faz não consegue sonhar, e quem não sonha, não consegue viver. A lavoura não enobrece o homem; degrada-o, pois semeia em seu peito a blasfêmia de que a terra lhe pertence. Nada nos pertence! Nem mesmo nós mesmos e nossas vidas, que são de Deus, como têm sido desde o nosso nascimento. Dizer que algo nos pertence é insanidade. Essa maneira de pensar gera a cobiça e a avareza, a ganância e a sovinice. Separa irmão de irmão, fazendo com que os homens contem e meçam tudo. É esse o ‘progresso’? Progresso em quê?
(…)
A vida da cidade fez dos homens menos do que eles eram, não mais. E quanto às suas mulheres, eu já as vi, sinto dizer. Uma única entre elas é mais bonita do que estas? São prostitutas pintadas, suas esposas, que trocaram suas almas por um lugar fora da chuva e nem sequer venderam caro. Suas mulheres são meras sombras daquilo que Deus pretendia que fossem e vocês sabem disso, ou não teriam atravessado os oceanos para rastejar atrás de nós, aluados como tolos!
(…)
Desprezo a razão, se ela me separa de minha alma e de Deus.”

— Trechos do discurso da amazona Antíope, em réplica ao discurso onde Teseu louva a cidade, no romance épico “A Última Guerreira”, de Steven Pressfield. —


Responses

  1. Cara Liv, cheguei ao seu blog por meio do Guilherme….adorei!
    Muito legal mesmo!
    Continuarei lendo!

  2. Gente, gente, genteeeeeee!!!!

    Não sei como dizer ou explicar o que senti lendo esse texto, pqp, saudade da porraaaa!!!!

    Aff, respira, respira….

    Já vi que daqui não saio mais!

    OBRIGADAAAAA!


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