Publicado por: alexandra | dezembro 5, 2008

Do ódio saudável

“As amazonas acreditam no ódio. O ódio é sagrado para Ate, para Hécate e para a Perséfone Negra, e também para Ares, a quem elas chamam, junto com a ninfa Harmonia, seu progenitor. Ártemis de Éfeso, que elas idolatram, foi quem mais odiou em todos os tempos, elas afirmam, e é também chamada de Impiedosa; (…) As amazonas acreditam que as mães odeiam as filhas e as filhas odeiam as mães, que o mar odeia o céu, e a noite, o dia. O mundo se mantém unido através do ódio, que em seu léxico é uma dádiva e uma prescrição divina. As amantes precisam odiar-se uma à outra antes de se amarem, e com esse fim o ritual de união que as amazonas noviças executam aos oito e doze anos, quando formalizam suas ‘trikonai’, as famosas ‘uniões de três’, constitui-se de um tipo selvagem de briga corpo-a-corpo que elas chamam de ‘anitome’, ‘a qualquer hora e em qualquer lugar’. Chutar, morder, (…) tudo isso é permitido. As mais velhas formam um círculo em volta das garotas que lutam, batendo com chicotes em qualquer combatente que pareça branda em seu ataque. Depois de terminada, a briga e sua memória, acreditam as amazonas, formam um elo tão resistente que nenhuma guerreira assim unida pode vir a abandonar outra.”
(Trecho do livro ‘A Última Guerreira’, de Steven Pressfield, grifos meus.)

Quando li esse trecho pela primeira vez, lembrei da época dos jogos escoteiros, havia um que chamávamos de “buldogue”, onde a tropa de meninas lutava em duplas no chão, derrubando uma por uma. No final de um desses, ficou apenas eu e uma colega, e eu a venci. Haviam regras, não era ‘tudo é permitido’; ainda assim, saíamos raladas, mas fazíamos isso rindo. Sem traumas nem estresse.

Agora, pensando nas divindades citadas no texto, vamos relacionar:

Ate era o espírito (daimona) da decepção, da paixão obsessiva, da loucura cega, da ação impensada e do impulso negligente que levam o homem a descer pelo caminho da ruína. O poder dela era oposto pelas Litai (Preces), que a seguiam em sua vigília.

Creio que não preciso explicar Perséfone, rainha do submundo, e Hécate, deusa da magia, bruxaria, noite, lua, fantasmas e necromancia.

As histórias de ira de Ártemis envolvem a incitada por ofensas contra sua mãe Leto e contra a própria virgindade dela, a dirigida contra os que não lhe pagavam a devida honra e contra os caçadores grosseiros, a dirigida contra mulheres e garotas impiedosas – sendo a maioria as que traíam seus votos de virgindade ou que a insultavam com ostentação de hybris -, entre outros incidentes.

As histórias de ira de Ares são poucas, visto que ele manifestava sua raiva no curso da guerra em vez de retribuições individuais específicas. Ainda assim, há a história em que acontece a metamorfose do genro Cadmo em uma serpente, embora isso possa ter sido mais um benefício do que uma maldição.


Responses

  1. INteressante isso da briga. Eu sou contra brigas. não tenho energia.. mas é um ponto a se pensar


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