Publicado por: alexandra | dezembro 24, 2010

Quando a força é que faz a união

Dia desses assisti o “Mulheres Guerreiras” da série “Rituais Bizarros” do The History Channel (sobre o qual eu havia avisado em um post anterior) e, entre tantas coisas legais, duas me chamaram mais a atenção. Uma foi a parte histórica, de saber que as primeiras boxeadoras conhecidas eram de 1.500 AEC, na era minóica (Creta). A outra foi a parte emocional de empatia, pois uma das boxeadoras modernas contou algo parecido com o que eu volta e meia comento com alguém.

Ela disse que tinha uma adversária que ela não gostava, que achava inclusive que era uma pessoa do mal, aí um dia elas lutaram com tanto afinco que no final – quando tudo acabou – elas não podiam mais falar nada de mal uma da outra, havia-se criado um vínculo inexplicável através do boxe.

Um dos primeiros lugares que eu li algo parecido foi no romance épico “A Última Guerreira” (The Last Amazon), em que as amazonas pré-adolescentes tinham que passar pelo ódio para chegar a um amor mais profundo às companheiras de seu pequeno grupo (no livro cada núcleo desse era formado de 3 guerreiras). Mas, quase 10 anos antes de ler esse livro, eu já ia ao chão lutar com as escoteiras das quais eu mais gostava.

Acredito mesmo que uma luta seja capaz de desenvolver um laço de confiança e intimidade entre as pessoas envolvidas. Parece que toda aquela coisa reprimida pela etiqueta social é resolvida. Há pessoas que eu amo muito, mas que justo por isso algumas atitudes delas me deixam com raiva e não posso fazer nada. E com certeza isso é recíproco. A gente não pode sair ‘dando na cara’ dos nossos amigos, mas uma luta limpa e justa não só permite colocar para fora todas as vezes que a gente teve vontade de esganar o outro (e assim poder seguir em frente com tudo resolvido e amá-lo mais) quanto permite um maior contato físico sem frescuras, sem interpretações, sem códigos corporais secretos.

O que pode parecer curioso é que eu sou conhecida por ser uma pessoa racional, educada e cortês. Mas é exatamente isso que me permite fazer esse tipo de observação. Eu jamais entraria numa briga sem um propósito. Tudo o que puder ser resolvido na conversa é melhor. Não estou de nenhuma forma defendendo a violência. Luta como ritual não é violência gratuita. Ela não viola no sentido de rasgo, ela só viola no sentido de revelar algo que está por trás do que foi violado; aquela coisa secreta que ficou engasgada. Ela permite que – ao terminar – vejamos o outro sem o véu do ressentimento, do rancor, do preconceito, do receio; sem pensar que ele é “do mal” como a boxeadora do documentário via a colega.

Se bem que boxe não é algo que me atrai. Já fiz uma aula experimental de kickboxing, mas não gostei, minha praia é mesmo as artes marciais, em que o corpo todo se envolve e que não se atinge a cabeça que nos tira a consciência das coisas. Talvez por ser de Atena, gosto de manter a integridade mental durante a luta, de estar com a alma inteira no momento do combate. “Sempre alerta” e fazendo “o melhor possível”, como aprendi.

De qualquer forma, em tempos de Internet e distância física, tenho precisado me ater à ‘espada da palavra’ para criar confiança e intimidade com meus amigos ao resolver nossas contendas de uma forma bem humorada, mas não deixo de (nem nego) sentir falta de uma boa peleja…

rs


Responses

  1. Puxa, perdi o programa… Queria tanto ter visto!😦

  2. Oie
    Amei!!!!!
    Entre no meu blog eu estou escrevendo
    e queria muito a SUA opinião.
    http://bookcomoum.blogspot.com/

  3. Depois de ler esse texto, me sinto melhor por amar lutas e por querer esganar meu namorado às vezes. rs… Ainda vou praticar algum tipo, de preferência alguma que envolva espadas.

  4. Uma vez mais, parabens pelo texto!
    TheLegionary


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