Publicado por: alexandra | setembro 3, 2011

Ares e as Amazonas

1) Pai das Amazonas
Na Anatólia, terra das Amazonas, Ares se uniu à rainha Otrera, gerando as primeiras rainhas Hipólita e Antíope e Pentesileia, e à ninfa Harmonia, gerando toda a tribo de mulheres guerreiras.

“As amazonas […]. A guerra, certamente, estava em seu sangue, filhas de Ares como eram e da ninfa Harmonia, a qual […] lhe gerou garotas que se apaixonaram por lutar.” (Apolônio Ródio, ‘Argonáutica’ 2, 989ss – épico grego de cerca do século III AEC)
“Héracles matou Hipólita, filha de Ares e da rainha Otrera, e tomou seu cinto de Rainha Amazona”. (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 30 – mitógrafo romano de cerca do século II EC)
“Teseu, filho de Egeu, matou Antíope, filha de Ares, por causa de um oráculo de Apolo.” (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 241)
“O templo de Ártemis em Éfesos, no qual a amazona Otrera, esposa de Ares, construiu.” (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 223)
“Então veio Pentesiléia, a amazona, filha do Ares de grande alma, matador de homens.” (Arctino de Mileto, ‘A Etiópia’ fragmento 2, de um estudioso da Ilíada de Homero 24, 804)
“Pentesiléia, a filha de Otrera e Ares, que acidentalmente matou Hipólita e foi purificada por Príamo.” (Pseudo-Apolodoro, ‘Biblioteca’ E5.1 – mitógrafo grego de cerca do século II EC)
“Desafiando combatentes e seus adversários na Guerra de Tróia… Pentesiléia, filha de Ares e Otrera, foi morta por Aquiles.” (Pseudo-Higino, ‘Fábulas’ 112)

2) Protetor das Amazonas

Ares era o deus das amazonas, a quem conferiu seu espírito de luta. O deus as liderou em suas campanhas contra os frígios, os lícios, os atenienses e outras tribos; e elas fundaram muitos templos em sua honra.

“E esta Colina de Ares (pagos Areion – Areópago), o assento e acampamento das amazonas, quando elas chegaram com um exército em ressentimento contra Teseu, e nesses dias construíram sua nova cidadela com altivas torres para rivalizar a dele, e sacrificaram a Ares, de onde a rocha leva seu nome, a Colina de Ares.” (Ésquilo, ‘Eumênides’ 685ss – tragédia grega de cerca do século V AEC)
“As amazonas se engajaram em uma luta implacável, em corcéis de ataque (cavalos de batalha), desde o princípio: toda a rede de homens elas suportam; e portanto ainda mais o espírito do deus-da-guerra as faz vibrar enquanto o fazem. Elas não ficam para trás dos homens em nada: seus arcos bem-trabalhados tornam grandiosos seus corações por todas as conquistas: nunca desmaiam ou caem de joelhos ou tremem. Os rumores dizem que a rainha delas é filha de [Ares,] o poderoso Senhor da Guerra. Portanto, nenhuma mulher pode se comparar a ela em suas proezas – se for ela a mulher, nem um Deus descerá para responder às nossas preces.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 618ss – épico grego de cerca do século IV EC)
“Amazoneion: um altar o qual as amazonas estabeleceram para Ares, na Ática.” (‘Suidas’ – léxico grego bizantino de cerca do século X EC)

3) Protetor de Hipólita

Hipólita recebeu o cinturão de guerra de Ares e recebeu também pássaros-flechas dEle.

“Como símbolo de sua proeminência entre as Amazonas, Hipólita possuía o cinto de Ares.” (Pseudo-Apolodoro, ‘Biblioteca’)
“Forjado no escudo de Eurípilos, neto de Héracles, estava uma beleza adornada como uma Deusa, Hipólita. O herói Héracles a arrastava pelo cabelo de seu veloz corcel, com a feroz resolução de lutar corpo-a-corpo contra ela e arrancar com suas mãos fortes a Maravilhosa Cinta da Rainha Amazona.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 6, 268ss)
“Quando vocês deixarem o litoral sul do Mar Negro para trás, vocês chegarão com seu navio à praia de uma pequena ilha, embora não sem antes encontrar algum meio de afastar os inumeráveis Pássaros que assombram o solitário litoral dali, que não têm qualquer complacência com os homens. Lá, as Rainhas das Amazonas, Otrera e Antíope [ou Hipólita], construíram um altar em márvore para Ares quando elas estavam indo para a guerra.” (Apolônio Ródio, ‘Argonáutica’ 2, 383ss)
“Agora o dia os trouxe [os Argonautas] quase em frente da Ilha de Ares, quando eles subitamente notaram um dos pássaros do Deus da Guerra, os quais assombravam a ilha, dardejando pelo ar. Agitando suas asas sobre o navio em movimento, ele deixou cair uma pena apontada [semelhante a uma flecha] sobre ela… ‘Estamos próximos à ilha de Ares – disse Anfídamas – pode-se dizer pelos pássaros’… Eles não viram pássaros até alcançarem a ilha e sentirem o golpe em seus escudos. Então os pássaros em seus milhares surgiram no ar e, depois de alvoroçarem-se em pânico, descarregaram uma pesada saraivada de penas dardejantes no navio enquanto eles faziam um apressada retirada para o mar, na direção das colinas continentais… O grupo inteiro abriu caminho até o templo de Ares para sacrificar algumas ovelhas, e rapidamente tomou seus lugares em torno do altar. Ele era feito de pequenas pedras e ficava do lado de fora do templo, o qual não tinha teto. Mas, dentro dali, uma pedra negra estava fixada ao chão. Ela era sagrada, e todas as Amazonas costumavam às vezes fazer preces a ela. Mas não era o costume delas, quando chegaram ao continente, fazer ofertas queimando ovelhas ou gado nesse altar. Em vez disso, elas usavam a carne de cavalos. Elas tinham várias manadas deles.”  (Apolônio Ródio, ‘Argonáutica’ 2, 1033ss)

4) Protetor de Pentesiléia

Pentesiléia vai para Tróia como aliada dos troianos.

“A amazona Pentesiléia, filha de Ares e da raça trácia, veio ajudar os troianos e, após demonstrar sua grande destreza, é morta por Aquiles e enterrada pelos troianos.” (Arctino de Mileto, ‘A Etiópia’ fragmento 1, em Proclus ‘Chrestomathia’ 2 – épico grego de cerca do século VIII AEC)
“Inigualável entre todas as Amazonas, Pentesiléia veio até a cidade de Tróia… a filha incansável do deusa da Guerra, a donzela encouraçada, se une aos Deuses Abençoados.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 61ss)
“Do azul do céu deslizou o poder de um sonho doloso no cavalo de Atena, foi isso o que a donzela-guerreira Pentesiléia viu, o que se tornou uma calamidade para Tróia e para ela mesma, quando constringiu sua alma a encontrar o furacão da batalha. Nesta sabedoria, a Tritogênia Atena, a de alma sutil, insuflou na cabeça da donzela o fatal sonho à semelhança do seu pai Ares, incitando-a a enfrentar sem medo Aquiles, o de-passo-ligeiro. E ela ouviu a voz, e todo seu coração se exultou, pois ela imaginava que poderia na aurora daquele dia conquistar um feito poderoso na lida da batalha mortal. Ah, tola, que confiou para sua tristeza em um sonho saído da terra sem sol…” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 154ss)

Pentesiléia enfrenta os gregos.

“Ela ergueu seus ombros naquela armadura maravilhosamente moldada, dada a ela por Ares, o deus da guerra. Primeiro ela amarrou sob seus joelhos de prata brilhante as grevas douradas, fechando-as sobre os fortes membros. Seu corpete radiante como o arco-íris a envolvia e, em volta de seus ombros, se dependurava, com glória em seu coração, a extensão brilhante de uma bainha para espada feita de mármore e prata. Em seguida, ela ergueu seu escudo esplêndido como nenhum outro na terra, cuja bainha se inchava como a carruagem arqueada da jovem lua crescente. Assim ela brilhava indescritivelmente bela. Então em sua cabeça ela colocou o brilhante elmo esticado com pêlos dourados de uma égua selvagem. Assim ela se ergeu, saltou com a flamejante armadura, parecendo-se com um raio… Em seguida, passando diante de seu pavilhão com uma pressa calorosa, ela pegou dois dardos na mão que levava o escudo e, com a mão direita, prendeu fortemente uma enorme alabarda, afiada, de lâmina única, a qual foi dada pela terrível Éris à filha de Ares para ser sua arma titânica na batalha que ceifa as almas dos homens.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 176ss)
“Príamo ergueu suas mãos e rezou a Zeus: ‘Pai, ouça! Conceda que neste dia o bando dos aqueus possa cair diante das mãos desta nossa rainha-guerreira, a filha do deus da guerra; e traga-a de volta sã e salva para os meus salões: rezamos a ti pelo amor que tens a Ares do coração feroz, teu filho, de quem ela é filha! Ela não é tão maravilhosa quanto as deusas celestiais? E ela não é a filha de tua própria semente? Apieda-te do meu coração ferido afinal… Tem compaixão de nós, enquanto ainda resta do sangue do nobre Dardanos, enquanto esta cidade ainda não está destruída! Deixe-nos conhecer o medonho abate e contenda que não deixa espaço para respirar!’ Em uma prece mais apaixonada, ele falou: ‘Eis, com um agudo grito rapidamente uma águia dardejou para a esquerda com uma pomba ofegante em suas garras. Então em torno do coração de Príamo todo o sangue se congelou de medo. Ele disse baixinho para sua alma: ‘Nunca verei voltar viva da guerra Pentesiléia!’. E, naquele mesmo dia, os Destinos cumpriram o presságio, e seu coração se travou de angústia e desespero.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 245ss)
“[Pentesiléia grita]: Que possamos aprender que poder brota dos seios das Amazonas. Meu sangue está misturado com a guerra! Nenhum homem mortal me gerou, mas [Ares] o Senhor da Guerra, insaciável em gritos de batalha. Portanto, meu poder é maior que o de qualquer homem.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 762ss)

Aquiles se arrepende de matar Pentesiléia.

“Ela foi feita uma maravilha de beleza mesmo na sua morte pela Afrodite coroada-em-glória, Noiva de [Ares] o forte deus-da-guerra, até o ponto de ele, o filho do nobre Peleu, ser penetrado pela afiada flecha do amor penitente. Os guerreiros o fitaram, e em seus corações eles rezaram para que suas esposas pudessem parecer bela e doce como ela quando eles se deitassem na cama do amor, quando ganhassem um lar. E o próprio coração de Aquiles se oprimiu de remorso por ter matado algo tão doce, alguém que ele poderia ter carregado para casa, sua noiva majestosa; pois ela não tinha nenhuma falha, era uma verdadeira filha dos Deuses, divinamente alta, e mais divinamente bela.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 909ss)

Ares lamenta a morte de Pentesiléia.

“Então o coração de Ares estremeceu de pesar e raiva pela morte de sua filha. Direto do Olimpo ele desceu dardejando, rápido e brilhante como um raio terrivelmente lampejando da poderosa mão de Zeus, rapidamente saltando sobre o mar sem rastros, ou flamejando pela terra, enquanto arrepiava todo o largo Olimpo ao passar por ele. Através do ar tremeluzente, com o coração em chamas, mergulhou o Ares vestido em armadura, assim que ouviu do terrível destino de sua filha. […] Assim que soube, como uma rajada de tempestade ele desceu às beiras do Ida […]. Ares agora tinha trazido um dia de lamento aos mirmidões [os homens de Aquiles], mas o próprio Zeus do longínquo Olimpo enviou trovões aterrorizantes com densos raios, flamejando com chamas assustadoras. E Ares viu, e sabia que a ameaça de tempestade era do poderoso Pai, e deteu seus ávidos pés, já às margens do tumulto da batalha… Assim muitos pensamentos selvagens surgiram na alma de Ares, compelindo-o a temer a ameaça terrível do filho irado de Kronos, e a voltar para os domínios celestiais, e a se inquietar não por causa do seu Genitor mas com o sangue de Aquiles a manchar aquelas mãos, o incansável-em-batalhas. Ao final, seu coração se lembrou como que mesmo sendo um filho de Zeus com muitos morrendo em batalha, Zeus não tinha tirado o mínimo proveito em suas quedas. Assim, ele se virou voltando dos argivos…” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 923ss)

Acontece o funeral de Pentesiléia.

“Então os reis atreus – pois estes também se apiedaram pela imperial amabilidade da maravilhosa Pentesiléia – entregaram o corpo aos homens de Tróia, para que o levassem ao burgo da Ília [Tróia], a de longe renomada com toda a sua armadura. Pois um arauto veio pedir esse favor a Príamo, porque o rei ansiava com um desejo profundo de seu coração que aquela donzela ávida-pela-batalha pudesse jazer com suas armas e seu cavalo na grande colina de seu pai Laomedon. E então ele ergueu uma alta e larga pira sobre às alturas da qual a rainha-guerreira foi colocada, e ricos tesouros ele lançou em torno dela, todos os que convinha queimar para uma poderosa rainha morta em batalha. E então o poder ligeiro do deus do fogo, a chama voraz, a consumiu. Todas as pessoas à volta ficaram paradas de pé, e extinguiram o fogo da pira com um vinho odorífico. Então eles reuniram os ossos e verteram um doce linimento sobre eles, e os puseram em um esquife […]. E, como por uma filha amada, abateu-se por todos os corações dos troianos o lamento choroso de dor, enquanto ela era enterrada em uma imponente torre, ao lado dos ossos do velho Laomedon, uma rainha ao lado de um rei. Esta honra eles renderam em nome de Ares e da própria Pentesiléia.” (Quintus Smirneus, ‘Queda de Tróia’ 1, 1990ss)

(Fonte: theoi.com – traduzido por Alexandra)


Responses

  1. Lindeza a descrição da fúria extrema de Ares pela morte de Pentesiléia.Eu sei bem como é sentir isso…gota a gota.Lindo!


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