Publicado por: alexandra | janeiro 27, 2008

A Violência e o Sagrado

Texto que escrevi há 4 anos atrás, em inglês,
numa comunidade Amazona americana.
Segue o traduzido e o original:

…Isso me lembra de uma palestra que assisti, da Rebecca Armstrong, sobre a violência, na qual ela falava da deusa hindu Kali. Então pesquisei algo sobre Kali e a violência na web. Depois do que li, penso que Kali tem algo a nos ensinar. Parece que há uma diferença entre violência (trazida por humanos) e atividades que trazem a morte (que é parte da natureza). Algo que seja parte da natureza não é “prejudicial”, é só uma parte do ciclo, mas alguns tipos de violência são prejudiciais porque elas quebram o ciclo. Mesmo que as histórias de Kali sejam violentas, suas alegorias têm uma sabedoria profunda. “Kali é a destruidora de egos (todos aqueles crânios são egos que ela tomou como prêmios), a matadora de impurezas naqueles que a cultuam sem sabedoria. Portanto, há vários lá fora que a cultuam porque ela é uma vadia malvada que pode chutar uns traseiros. Infelizmente, essas pessoas que acham que isso é legal, não percebem que quando você a chama, o primeiro traseiro que ela chuta é o seu próprio. Em outras palavras, Kali não é violenta por natureza; ela é devastadora e transformadora de vidas da mesma forma que uma força da natureza”. Kali luta contra a agressão que somos socializados a sentir e a exibir. Parte do dilema de viver na natureza é que às vezes nós somos forçados a confrontar violência com algo como violência ou agressão. Mesmo Mahatma Ghandi, um grande profeta de não-violência, disse que quando não temos opções exceto a violência e a covardia, deveríamos escolher a violência; mas no evento que temos ou podemos criar uma terceira opção não-violenta e corajosa, então a verdadeira FORÇA e LIBERDADE aparecem ao tomarmos aquela estrada. (Botei estas palavras em maiúsculo porque me lembram o caminho Amazona). “Atena, Kali, Morrigan são talvez as deusas que nos guiam quando não temos opções, mas elas podem também nos guiar a usar uma força não-violenta”. Eu entendo que Atena é a deusa da guerra no sentido de estratégia e sabedoria (como um general), enquanto Ares é o deus da guerra no sentido de agir no calor da batalha (como um soldado). Então, talvez possamos fazer como guerreiras modernas tentariam agir como a deusa, com sabedoria, e lutar apenas para atender a natureza, não o ego. Rachel McDermott, falando sobre a Kali ocidental, diz: “Como um fenômeno geral, a espiritualidade da deusa é atraente para as mulheres porque torna possível uma afirmação do corpo feminino, da raiva e agressão feminina, e dos ciclos de mudança da vida, como a menstruação e o nascimento tão prontamente ilustram”. Deusas podem e deveriam ser vistas como símbolos e modelos para o fortalecimento/capacitação/poderio das mulheres.

…It reminds me of a lecture of Rebecca Armstrong about violence, in which she talked about the hindu goddess Kali. So I searched something about Kali and the violence on web. After what I read, I think Kali has something to teach us. It seems there be a difference between violence (brought by humans) and death-bringing activities (which is part of nature). Something which is part of nature is not “harmful”, is just a part of the cycle, but some kinds of violence are harmful because they break the cycle. Even if the stories of Kali are violent, their allegories have a deep wisdom. “Kali is the ego-destroyer (all those skulls are egos she’s taken as prizes), the killer of impurities in those who worship her without wisdom. Thus, there are many out there who worship her because she’s a mean bitch who can kick ass. Unfortunately, those folks who think it’s cool don’t realize that when you call her, the first ass she kicks is your own. In other words, Kali is not by nature violent; she is devastating and life changing in the same way as a force of nature”. Kali fights the aggression that we are socialized to feel and exhibit. Part of the dilemma of living in nature is that we are sometimes forced to confront violence with something like violence or aggression. Even Mahatma Gandhi, a great prophet of non-violence, said that when we have no options except violence and cowardice, we should take the violent option; but in the event that we have or can create a third nonviolent, courageous option, then true STRENGTH and FREEDOM lies in taking that road. (I capitalized these words because they remind me the Amazon way). “Athena, Kali, the Morrigan are perhaps the Goddesses that guide us when we have no options, but they can also guide us in using nonviolent force”. I understand that Athena is the goddess of war in the way of strategy and wisdom (like a general), while Ares is the god of war in the way of acting in the heat of the battle (like a soldier). So, maybe what we could do as modern warrior-women would try to act as the goddess, with wisdom, and fight only to attend the nature, not the ego. Rachel McDermott, talking about the western Kali, says: “As a general phenomenon, goddess spirituality is attractive for women because it makes possible an affirmation of the female body, of women’s anger and aggression, and of the changing cycles of life which menstruation and birth so readily illustrate”. Goddesses can and should be seen as symbols and models for women’s empowerment.


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